Cenas da família Dups

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Memória de mãe

Eu sempre fui do tipo de lembrar facilmente das coisas ruins e pensar um pouco mais na hora de lembrar das coisas boas. Deve ser porque durante muitos anos eu tive diário e escrevia mais sobre os problemas, minhas insatisfações, minhas angústias, chorava todas as minhas mágoas em palavras, o que reforçava tudo na memória. Mas desde que virei mãe estou tendo o prazer de só lembrar as coisas boas e chego até a esquecer os problemas.

Matheus foi um bebê complicado, só dormia no colo, chorava muito, detestava ir com outras pessoas. Uma vez tentei deixar com a vizinha pra ver se conseguia fazer faxina sem estar com ele no canguru, mas ele chorou tanto que minha vizinha me ligou de volta em menos de 10 minutos. Foi assim até uns 6 meses, quando fomos para Belém e lá tudo mudou, foi com todo mundo, passou a dormir bem, na cama dele ou na rede. E é disso que eu lembro. Assim, lembro da fase negra, lembro que passei dias à beira de um ataque de nervos, mas nem parece mais que foi real. Quando ele era bebê eu dizia que nem pensar em fazer um segundo! E quando ele estava com 15 meses engravidei da Thaïs e nem lembrei mais dessa fase complicada.

E outro dia, conversando com uma amiga, falei que não estava mais deixando o Matheus na escola até às 16h30, que ia pegá-lo às 11h30, pra almoçar em casa, fazer a siesta e que não levo de volta para escola porque acho besteira acordar da siesta às 14h, deixar na escola às 14h30 e ir pegar de volta às 16h30. Ou seja, agora ele só vai de manhã pra escola. E falei que agora estava tudo tão certinho, ele e Thaïs almoçam juntos, depois dormem, enfim, pra mim nem é cansativo. E adoro ver os dois juntos assim.
E nisso minha amiga, que tem boa memória, me lembra que quando Thaïs era bebê eu ligava chorando quase todo dia porque não estava conseguindo dar conta, porque cuidar dos dois, sozinha durante o dia, era cansativo demais. E eu nem lembrava mais dessa fase! Pra mim minha memória é a de hoje e hoje estou dando conta. Isso, claro, agora que Thiago ainda não nasceu.

Acho que é exatamente porque a gente esquece (ou deixa de lado) todas as noites mal dormidas, todo o cansaço, todos os problemas para cuidar dos filhos e ao mesmo tempo da casa, sem babá e nem empregada, nem família por perto, que dá vontade de ter um segundo e mesmo um terceiro. Porque foi exatamente porque não lembrei dessa fase complicada do começo com os dois, que me vi grávida do terceiro quando Thaïs tinha 10 meses.

Porque hoje minha vida é assim, com os dois aprendendo a brincarem juntos e eu me divertindo com eles.
Claro que nem tudo são flores. Tem dias que dá tudo errado desde manhã cedo, que tenho a impressão de passar o dia brigando com eles, gritando, limite histérica. Não sei como vai ser quando Thiago nascer, se vou entrar em outra crise, se vou chorar todos os dias de cansaço, se vou me arrepender de não ter colocado Thaïs na creche, de não ter deixado Matheus se acostumar na escola até às 16h30 desde agora.

A única coisa que sei é que por mais difícil que seja, vou esquecer depois. Porque minha memória de mãe, finalmente, só guarda as coisas boas. E ainda bem que é assim.

6 comentários:

Anônimo disse...

Mil beijos, amei o cabelo encaracolado da Thais :) amiga com memória ;)

Flavia disse...

Amiga, eu também adoro os cachinhos dela! Será que foi resultado das 3 permanentes que eu fiz no cabelo na minha adolescência que deram esses cachos pra Thaïs ?! Hehehehe !!! Bjs

Anônimo disse...

Flavia vc me tirou um lagrima.. Muito lindo o seu relato de mae amnésica rsrs.. Muito lindo.. Vc tem dons de "ecrivain" ;-)
Bjs !

Flavia disse...

Ô Bina, assim quem chora aqui sou eu! Obrigada querida!

Chefa disse...

flavia... esse relato ta comovente!!! eu se fosse voce imprimia bem assim com as fotinhos e guardava pra eles lerem depois. Ta lindo demais!!! e so mostra o qto o thiago eh esperado e querido. Teus filhos tao lindos e seu dom pra ser mae eh real e emocionante. Parabens!!!

Danny Reis disse...

Flavinha, por mais que você se descabele às vezes, tenho certeza de que você é ótima mãe (como eu sei? Sabendo, ora!) e vai dar conta sim!
Se quiser escrever, a internet está aí pra nos manter por perto, mesmo com a distância!
Beijos!